Comitê da Meta expõe falhas na moderação de eleições brasileiras

O Comitê de Supervisão da Meta divulgou nesta terça-feira que identificou falhas recorrentes na aplicação de normas voltadas à integridade eleitoral durante a circulação de publicações sobre as eleições presidenciais no Brasil. O grupo independente, que monitora as decisões de moderação do Facebook, Instagram e WhatsApp, também expressou apreensão com pleitos legislativos norte-americanos.

No documento oficial, o colegiado detalhou que os problemas de moderação costumam aparecer de duas maneiras distintas em momentos de alta tensão política: pelo excesso de rigor, que acaba sufocando o debate público, ou pela fiscalização frouxa, que prejudica a lisura do processo eleitoral.

“Da remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato, às restrições técnicas que atingiram as contas de um candidato à Presidência no Brasil, dando origem a acusações de interferência eleitoral, está claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de aplicação das regras durante as eleições sejam transparentes e consistentemente aplicadas, e que o discurso político seja protegido, em vez de silenciado”, afirmou o colegiado em comunicado.

O colegiado destacou especificamente um episódio envolvendo o bloqueio de impulsionamento na conta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A aplicação excessivamente rigorosa das políticas antifraude da Meta às contas de anúncios do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas responsáveis pela análise de casos”, apontou a entidade.

Paralelamente, a empresa dona das redes sociais respondeu a questionamentos do Tribunal Superior Eleitoral. A manifestação ocorreu após uma determinação judicial motivada por uma queixa da coligação do presidente Lula, que apontou suposto favorecimento a publicações do adversário. A companhia refutou as acusações de parcialidade na distribuição de material de campanha.

Em documento enviado à Justiça eleitoral, a corporação digital garantiu que “os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória” e acrescentou que um relatório técnico anexo ao processo “descreve o mecanismo que assegura essa isonomia”.

A discussão sobre a conduta das grandes empresas de tecnologia também mobilizou as ruas. Manifestantes se reuniram em frente aos escritórios corporativos na zona oeste de São Paulo para protestar contra a atuação das plataformas. Com o lema “Meta, não se meta”, os manifestantes criticaram o bloqueio de vozes ativistas e acusaram as companhias de falta de neutralidade na gestão das comunidades virtuais.

Por fim, o conselho independente relembrou demandas feitas desde o pleito de 2022, quando foi cobrada a criação de métricas claras para mensurar a eficácia das ações de proteção à democracia.

“Embora a Meta frequentemente cite indicadores gerais de atividade, como o número de anúncios armazenados ou de contas removidas, a empresa ainda não estabeleceu indicadores públicos que avaliem de forma transparente a eficácia de suas medidas de aplicação das regras — nem suas deficiências mais críticas. Isso precisa mudar”, cobrou o conselho.

Com informações de Agência Brasil

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