Festival reúne filmes criados por crianças e jovens no Rio

O Rio de Janeiro se transforma na capital do audiovisual infantil e juvenil com a realização do Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC). A 11ª edição do evento reúne 68 produções cinematográficas dirigidas exclusivamente por crianças e adolescentes com idades entre 8 e 17 anos. Com programação totalmente gratuita, o circuito ocupa três pontos culturais da capital fluminense: o Teatro Municipal Carlos Gomes, o Instituto Cervantes e o Jardim Botânico.

As obras selecionadas vieram de uma triagem que avaliou 467 inscrições de 41 países e de dez estados do Brasil. A grade contempla produções em animação, documentário e ficção, trazendo abordagens sobre temas atuais como preservação ambiental, conflitos armados, uso da inteligência artificial, preconceito e convivência digital.

Protagonismo infantojuvenil nas telas e na premiação

Diferente de معظم mostras tradicionais, a proposta central da iniciativa coloca os próprios jovens na liderança de todo o processo criativo e avaliativo. O Júri Oficial também é composto por integrantes dessa mesma faixa etária, responsáveis pela escolha dos títulos que levarão os prêmios.

A cineasta e educadora audiovisual Daniela Gracindo, idealizadora do festival, ressalta a importância de dar voz ativa aos realizadores mirins: “Eles ficam se sentindo mais participativos com protagonismo, porque a opinião deles importa. Já muda completamente a postura daquela criança que senta na cadeira sabendo que vai eleger o filme que vai ser premiado. A postura dela na cadeira de cinema é outra”.

Integrando o corpo de jurados desta edição, Carina Ki destacou o nível das criações em exibição. “Quando eu soube que eram de 13 a 17 pensei que era uma coisa meio experimental porque são crianças fazendo, mas fiquei muito impactada com a criatividade e todas as técnicas que elas usaram. As crianças se esforçaram muito para fazer. Fiquei muito impressionada com o talento delas”, relatou. A estudante completou: “Eu tenho o projeto de estudar cinema no futuro, então, foi uma oportunidade muito importante, para mim, ter contato com produções de outros adolescentes”.

Histórias de quem começou cedo na direção

A paixão pelo audiovisual surge com frequência durante as primeiras brincadeiras de infância. É o caso de Miguel Figueiredo Viglio, hoje com 14 anos, que deu seus primeiros passos na área técnica aos 7, em aulas de animação quadro a quadro. “Aí comecei a fazer os filmes em stop motion com brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, explicou.

O cineasta concorre no evento com a obra Circo dos Horrores, trabalho já laureado em festivais nacionais e com passagens por mostras internacionais na Itália, em Portugal e na Alemanha. Focado no futuro, ele reconhece os desafios da profissão: “É difícil, mas sei que vou trabalhar com uma coisa que eu gosto e com pessoas que também gostam da mesma coisa”.

Outro talento em exibição é Daniel Nini, de 16 anos, que começou a atuar no teatro e passou para os bastidores das câmeras. “Com 10 anos eu me toquei que poderia estar nos filmes e realizar filmes. Aí comecei a ver muita coisa para pegar bagagem cultural e tentar botar em prática os meus próprios roteiros”, revelou o diretor, que utilizou recursos próprios de trabalhos como ator para adquirir equipamentos. Sobre sua experiência inicial, ele detalhou: “Nessa época eu não tinha câmera, quando eu peguei feito por telefone, pensei que nada ia ser aproveitado, porque o som também não estava com uma qualidade muito boa , mas com a mágica da edição, ainda mais vendo na tela grande, ficou ótimo. Fiquei muito feliz com o resultado”.

Estrutura, formação e intercâmbio cultural

A competição se divide nas faixas Nacional e Internacional Criança (8 a 12 anos) e Jovem (13 a 17 anos), além das categorias temáticas Oficina Pequeno Cineasta, Filmes Hispânicos e Sustente Sua História. A abertura conta com a apresentação de curtas concebidos em Saint-Georges, na Guiana Francesa, e promove o debate Mesa Redondinha para integrar os realizadores dos dois países.

Para capacitar profissionais do ensino, a pesquisadora argentina Irene Blei comanda a oficina Cinema na Sala de Aula. O projeto também se estende para unidades escolares de todo o país por meio do programa Pequeno Cineasta na Escola, permitindo transmissões pedagógicas e voto popular dos estudantes nas salas de aula.

Sobre essa integração com o aprendizado, Daniela Gracindo enfatiza a relevância da alfabetização audiovisual: “É primordial para a infância e a juventude nesse sentido, não de ser um youtuber, um tiktoker, pode ser também, mas a ideia do projeto Pequeno Cineasta é que eles se aprofundem na linguagem e se tornem críticos e saibam o que estão recebendo, fazendo e sejam alfabetizados nessa linguagem”.

A cerimônia de encerramento do evento reunirá o anúncio dos premiados e prestará um tributo ao ator e diretor Gracindo Jr., falecido em setembro. A mostra conta com o suporte institucional da Prefeitura do Rio, do Sistema Nacional de Cultura e do Ministério da Cultura.

Com informações de Agência Brasil

spot_img

Leia também

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Siga-nos

0FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
0InscritosInscrever
- PUBLICIDADE -spot_img
- PUBLICIDADE -spot_img

Últimas Notícias