TSE corrige dado e diz que apenas 343 seções mudaram de local

Um erro na interpretação de dados estatísticos levou a Justiça Eleitoral a divulgar incorretamente, no último sábado (17), que 4.352 seções eleitorais teriam alterado de endereço entre o primeiro e o segundo turno da eleição. O número real de modificações é significativamente menor, fixado em 343 locais para o pleito marcado para o próximo domingo (25).

O esclarecimento foi feito pelo presidente do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), desembargador Carlos Roberto Silva, ao apontar que houve uma falha dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) na alimentação do sistema federal.

“Esse número de 4.352 seções alteradas é irreal. Não ocorreram alterações de locais em 4.352 seções do 1º para o 2º turno no Brasil inteiro. Foi uma verificação equivocada desse dado. Esse dado de 4,3 mil seções alteradas é de 2024 para 2026”, afirmou o desembargador.

Atualização e divergências nos sistemas

Na última terça-feira (20), o sistema apontava 441 modificações, montante que voltou a encolher na apuração seguinte. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, justificou que a plataforma costuma iniciar a primeira semana após o primeiro turno refletindo o acumulado histórico desde o pleito anterior.

“Há uma necessidade de revisitação de toda a situação anterior ao primeiro turno. Então, ele [o número] vem, muito provavelmente, e é o que está acontecendo, caindo”, disse.

Como exemplo prático das divergências, Nunes Marques citou que o sistema ELO — usado para centralizar os dados da Justiça Eleitoral — registrava 38 alterações em Minas Gerais, enquanto o TRE mineiro contabilizava apenas 17. No Piauí, a ferramenta federal apontava 18 mudanças, ao passo que o órgão regional confirmava somente quatro endereços modificados.

Rotina e recomendações aos eleitores

As alterações de endereços de votação são decididas por juízes de cartórios eleitorais locais, que avaliam problemas estruturais em prédios ou questões climáticas antes de repassar a demanda aos TREs. Apesar dos ajustes, a Justiça Eleitoral reforça que o quantitativo atual representa uma queda de 85% em relação ao mesmo período das eleições de 2022.

O desembargador Carlos Roberto Silva destacou que remanejamentos pontuais fazem parte do cotidiano administrativo da votação. “Os juízes eleitorais divulgam, por todos os meios de comunicação, quando isso acontece e colocam avisos nos locais antigos, onde houve a mudança. Há sempre uma faixa avisando o novo local. Não há prejuízo aos eleitores, não há nenhuma situação de insegurança, é rotina”, afirmou.

Novas modificações pontuais ainda podem surgir devido a imprevistos de última hora, como intempéries severas. “Alterações [ainda] são possíveis. Imagine que, nos próximos dias, em algumas regiões do Brasil, ocorra uma chuva de granizo intensa que estrague o telhado de uma escola. É possível, mas em casos muito excepcionais”, completou o presidente do TRE catarinense.

Diante da circulação de links falsos e mensagens apócrifas em redes sociais e aplicativos de mensagens, a instituição orienta que os cidadãos verifiquem seus locais de votação exclusivamente através de canais oficiais, como o aplicativo e-Título ou os portais do TSE e dos TREs.

Com informações de Agência Brasil

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