Pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde passam a contar com nove medicamentos de ponta para o tratamento oncológico. A iniciativa do Ministério da Saúde representa a maior incorporação simultânea voltada a essa área na rede pública e visa suprir a totalidade da procura pelos compostos, alcançando mais de 116 mil brasileiros diagnosticados com 13 diferentes modalidades da doença.
A primeira etapa da entrega abrange 20 unidades de referência distribuídas pelo Distrito Federal e por 16 estados: São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins e Sergipe. A meta do governo federal é estender a distribuição a todos os polos oncológicos credenciados até dezembro.
Medicamentos incorporados e indicações clínicas
As drogas inseridas no sistema público desempenham diferentes papéis terapêuticos conforme o perfil clínico, o estágio e o tipo de tumor, proporcionando extensão da sobrevida e ganho em bem-estar. Determinadas formulações são prescritas no pós-operatório para impedir a recidiva da enfermidade quando não restam lesões visíveis.
Confira a relação de fármacos integrados à rede:
- Trastuzumabe: câncer de estômago ou de junção esofagogástrica;
- Abemaciclibe: câncer de mama em fase inicial (RH+, Her2-, linfonodo +);
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos;
- Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático;
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica em primeira linha, linfoma folicular e linfoma difuso;
- Abiraterona: câncer de próstata sensível ou resistente à hormonioterapia, metastático e não metastático;
- Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células em primeira linha terapêutica;
- TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodoterapia;
- Sunitinibe: câncer renal de células claras metastático e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após insucesso com imatinibe.
Estratégia de compra e impacto orçamentário
A aquisição anual exclusiva desses nove produtos demanda R$ 155,4 milhões. O plano federal projeta a inclusão de um total de 23 itens oncológicos até o encerramento do ano, elevando em 35% as alternativas terapêuticas do SUS. O investimento global para essa operação soma R$ 4 bilhões por ano.
Para viabilizar a medida, a pasta centralizou a compra direta de dez compostos, estruturou uma ata de registro de preços para baratear a aquisição estadual de outras nove fórmulas e reforçou os repasses financeiros aos serviços de assistência para cobrir quatro terapias adicionais.
O titular da pasta, Alexandre Padilha, detalhou o pacote durante agenda no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. O ministro enfatizou a busca por diagnósticos ágeis, tratamentos modernos e valorização estrutural da assistência.
“Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, disse durante cerimônia.
Diagnóstico precoce e cirurgias minimamente invasivas
Além das terapias medicamentosas, a pasta inicia o rastreamento em massa do câncer colorretal. Serão encaminhados a todas as unidades federativas 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT), que apresentam índice de acerto de 92%. O procedimento tem como público-alvo homens e mulheres assintomáticos, na faixa de 50 a 75 anos, apontando os casos que necessitam de colonoscopia.
“Nós estamos construindo o maior programa público de rastreamento do câncer de colo retal do mundo. Não existe país do mundo que vai fazer o que nós estamos fazendo”, destacou o ministro Alexandre Padilha.
O combate ao câncer de colo do útero também ganha o reforço do teste de DNA-HPV e da citologia em base líquida reflexa, que aproveita a mesma coleta inicial para investigar alterações celulares, com orçamento de R$ 2,7 milhões para 131 mil exames. No campo cirúrgico, o SUS passa a cobrir operações videotorácicas oncológicas, sobretudo para tumores pulmonares, método que encurta o período de internação e ameniza complicações cirúrgicas.
Parceria filantrópica e hospital inteligente
O Ministério da Saúde firmou ainda o novo acordo do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), reservando R$ 4 bilhões para os próximos três anos. A quantia corresponde a mais de 36% do total repassado ao longo de 17 anos do projeto.
Segundo Padilha, entidades filantrópicas como A.C. Camargo, Albert Einstein, Sírio-Libanês, Hcor, Beneficência Portuguesa, Moinhos de Vento e Oswaldo Cruz cumprem função determinante na capacitação e gestão pública:
“Tanto na transferência de tecnologia, capacitação profissional e melhoria da gestão do SUS. Muitos desses hospitais filantrópicos, inclusive, operam hoje com mais leitos dedicados ao SUS do que aos seus próprios serviços particulares”, disse.
O anúncio incluiu ainda a criação da primeira unidade hospitalar inteiramente inteligente da rede pública, administrada com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI) e alocada no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
“O projeto prevê UTIs com equipamentos ultra-conectados e inteligência artificial, que permitem o monitoramento remoto em tempo real, com o profissional podendo acessar o que acontece dentro da UTI de qualquer canto do hospital, da casa dele, ou em outro serviço”, explicou Padilha.
“Além da modernização de laboratórios de anatomia patológica, serão reduzidos o tempo de entrega de laudos de biópsias de uma semana para apenas 48 horas por meio de telediagnóstico”, acrescentou.
Com informações de Agência Brasil




