O Ministério da Igualdade Racial acionou nesta manhã o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Procuradoria Regional Eleitoral no Estado do Rio de Janeiro. A medida busca a apuração de um episódio de injúria e discriminação racial ocorrido na tarde de ontem durante um ato público na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
A mobilização política reunia apoiadores do candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL). O ato contou com a presença de figuras públicas em cima de um trio elétrico, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).
Registros em vídeo que circularam amplamente pelas redes sociais mostram um participante da manifestação, de pele branca e vestindo roupas nas cores verde, amarelo e azul, puxando um homem negro que caminhava com correntes nos pulsos. Durante a abordagem, o manifestante utilizou termos pejorativos para se referir ao homem negro, chamando-o de “Luladrão, Satanás e Capiroto”.
Diante da repercussão das imagens, a pasta federal responsável pela igualdade racial emitiu um posicionamento oficial repudiando o ocorrido e destacando a gravidade da conduta registrada no contexto da disputa eleitoral.
“É inaceitável que uma pessoa negra seja acorrentada e humilhada, especialmente por reproduzir uma dinâmica já reconhecida pela Organização das Nações Unidas como o maior crime já cometido contra a humanidade”, apontou em nota do Ministério da Igualdade Racial.
O órgão governamental também pontuou que o episódio reverbera feridas históricas do país.
“Cenas como essa, especialmente no contexto eleitoral, têm um significado ainda mais profundo sobre as marcas que nossa sociedade ainda carrega sobre o período escravagista e como ele segue ferindo nossa nação”, completou a pasta.
A repercussão do caso mobilizou lideranças políticas antes mesmo do acionamento oficial dos órgãos competentes. A deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro Anielle Franco (PT) utilizou suas redes sociais para anunciar que cobraria providências do governo federal tanto em relação ao ocorrido no Rio de Janeiro quanto a um caso separado de intolerância religiosa registrado em Belo Horizonte, onde uma mulher destruiu a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante outra manifestação de cunho político.
“Estive na live do Exército do Lula com Janones, Muka e Rafael Infante. Falamos de mobilização e virada de votos, mas também de dois absurdos: racismo na Barra e intolerância religiosa em BH. Vou procurar o Ministério da Igualdade Racial para entender as medidas cabíveis. Não vamos deixar passar!”, disse Anielle na publicação.
Com informações de Agência Brasil




