O fenômeno El Niño tem potencial para atingir uma força sem precedentes e superar os registros observados nas últimas quatro décadas. O alerta sobre a intensidade atípica do evento climático foi emitido pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial, Celeste Saulo, que chamou a atenção para as graves consequências nas condições meteorológicas em escala global.
Impactos climáticos e distribuição de extremos
As oscilações provocadas pela configuração atual do fenômeno tendem a desregular o regime de precipitações em diversos continentes. Enquanto determinadas regiões devem enfrentar fortes ondas de calor associadas a quadros de seca severa, outras áreas do globo correm riscos elevados de registrar tempestades volumosas e inundações históricas.
Aquecimento do planeta caminha para superar previsões
Paralelamente ao comportamento dos oceanos, os indicadores de aquecimento global continuam a subir além das estimativas anteriores. Mesmo nas projeções consideradas mais brandas, a temperatura média do planeta deve subir entre 1,7°C e 1,8°C acima dos padrões pré-industriais até meados do século, conforme apontam dados das Nações Unidas.
Para o fim do século, o cenário traçado sob as regras e diretrizes governamentais em vigor calcula uma elevação de 2,8°C até 2100. Se todos os países cumprirem integralmente suas promessas climáticas vigentes, a alta ficaria em 2,6°C. Esses índices foram revisados para cima em comparação aos levantamentos do ano passado, impulsionados pela saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e por novos cálculos relativos ao histórico de poluição atmosférica.
Cortes de emissões continuam aquém do necessário
O avanço das fontes de energia renovável e a adoção de medidas governamentais vêm desacelerando o ritmo das emissões de gases poluentes em diversos territórios. Contudo, relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) destacam que ainda são necessárias medidas “urgentes e rigorosas” para evitar consequências desastrosas.
De acordo com o estudo, os cortes globais de gases de efeito estufa em relação aos parâmetros de 2025 precisam atingir 18% até 2030, 45% até 2035 e alcançar 69% até 2040. Os compromissos nacionais apresentados até o momento ficam muito distantes desses patamares, projetando retrações de apenas 5% a 8% para 2030 e de 11% a 15% para 2035.
Metas do Acordo de Paris e preparativos para a COP31
Com as negociações da COP31 agendadas para ocorrer na Turquia, a cúpula internacional busca reforçar o comprometimento dos governos antes que os desastres como secas, queimadas e enchentes se agravem. O secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou a necessidade de persistência frente aos entraves climáticos:
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível – e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século”, disse ele.
O tratado selado na capital francesa em 2015 fixou como meta reter a elevação da temperatura bem abaixo de 2°C, com o objetivo ideal mantido em 1,5°C. Como os limites atuais inviabilizam conter o aquecimento sem ultrapassagens, o Pnuma passou a adotar um modelo alternativo com o patamar “mais baixo possível”. A estimativa aponta 50% de probabilidade de que os termômetros mundiais regressem para a marca de 1,5°C até 2100, um processo que depende fortemente de tecnologias de remoção de carbono em larga escala, recurso que ainda carece de comprovação prática definitiva.
Com informações de Agência Brasil




