Flávio Bolsonaro nega golpe de Estado e promete vetar reeleição

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, participou nesta sexta-feira (16) de uma sabatina de pouco mais de 40 minutos promovida pela TV Globo. Durante o programa, o parlamentar afastou a tese de tentativa de golpe de Estado nos atos de 8 de janeiro de 2023, garantiu que não disputará uma reeleição se vencer o pleito e argumentou que não houve “nada de errado” em solicitar R$ 130 milhões a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro atualmente sob prisão.

Ao tratar dos protestos que culminaram na invasão e depredação das sedes do Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto, o postulante declarou que as manifestações que pediam o retorno de seu pai ao comando do país não constituíram conspiração golpista. Flávio classificou como “farsa” a condenação judicial de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão. Em sua avaliação, “Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, declarou, minimizando os acontecimentos ao afirmar que “uma senhora com Bíblia” não representava uma ofensiva antidemocrática.

Composição de governo e situação familiar

Questionado sobre o futuro de seus parentes em uma eventual administração, o senador informou que ainda não discutiu cargos no Executivo com o ex-presidente, embora já tenha reiterado a intenção de conceder-lhe indulto. Sobre o deputado federal Eduardo Bolsonaro, Flávio descartou a possibilidade de nomeá-lo para o Ministério das Relações Exteriores.

Eduardo reside atualmente nos Estados Unidos e foi condenado pela Justiça brasileira por coação no curso do processo, acusado de incitar sanções tarifárias norte-americanas contra produtos nacionais caso o pai fosse condenado. O presidenciável saiu em defesa do irmão: “Ele é um perseguido político”, afirmou, acrescentando que “Um dia será reconhecido como alguém que se sacrificou para defender a democracia”.

Jornada de trabalho e segurança pública

Depois de manifestar resistência ao encerramento da jornada de trabalho 6×1 nos meses anteriores, Flávio declarou apoio à emenda constitucional chancelada pelo Senado nesta semana. Segundo ele, o voto favorável ocorreu após diálogos com a classe trabalhadora em diferentes regiões, reforçando que defende a flexibilização individual de horários.

“Eu sempre defendi mais liberdade, inclusive para os trabalhadores montarem sua jornada de trabalho. Isso pressupõe que a escala 6×1 seja extinta”, justificou, assegurando que preservará todos os direitos previstos na legislação trabalhista.

Na área da segurança pública, o candidato prometeu enquadrar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho na categoria de organizações narcoterroristas, sem detalhar os impactos práticos da medida. Ele também defendeu a reformulação da política de controle de armamentos. “O problema é que as armas estão nas mãos das pessoas erradas”, disse o postulante ao defender o armamento da população civil, optando por não comentar a proposta que visa extinguir a identificação balística nas munições de forças de segurança.

Ao ser confrontado sobre a proximidade com figuras políticas fluminenses vinculadas a investigações criminais, como o deputado eleito Márcio Canella e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, Flávio demonstrou surpresa com as supostas ligações com o crime organizado. Declarou que os citados possuem direito à defesa, mas pontuou que eventuais culpados devem ser punidos pela Justiça.

Financiamento cinematográfico e meio ambiente

A captação de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi outro ponto levantado na entrevista. Flávio sustentou que a obtenção de cerca de R$ 60 milhões destinados à produção da obra cinematográfica Dark Horse ocorreu de maneira regular na fase em que buscava patrocinadores. O candidato explicou: “E ele concordou quando não havia nada de errado [com o banco]”. Registros mostram, contudo, que as cobranças financeiras continuaram mesmo após a eclosão das apurações de fraudes no Banco Master.

Em relação às queimadas florestais, o senador acusou o governo federal de atingir marcas históricas de devastação: “Esse foi o outubro com maior queimada na história da nação brasileira”, declarou. Estatísticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora os focos de calor desde 1989, apontam que o bioma amazônico acumulou 9.544 ocorrências até 15 de outubro, patamar consideravelmente distante dos índices recordes da série histórica.

Propostas econômicas e reforma do mandato

O parlamentar confirmou o projeto de extinguir a reeleição no Poder Executivo por meio de alteração constitucional. “Partiu de mim apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição onde acaba a reeleição para presidente. E aí depende do congresso a duração do mandato, se vai ser de quatro anos ou não”, assinalou. O texto defendido pelo senador também proíbe a sucessão de parentes de até terceiro grau do mandatário.

Para o plano fiscal, Flávio prevê diminuir o passivo federal em mais de R$ 200 bilhões através da venda de patrimônios imobiliários desocupados e disse que pretende angariar “R$ 100 bilhões de largada” com a exploração na Margem Equatorial. Cronogramas da Petrobras, entretanto, estimam o início das atividades no local apenas a partir de 2033. O político anunciou ainda a eliminação de dez pastas ministeriais e declarou que a gestão paterna enxugou cargos de livre provimento — contrariando dados oficiais que registraram alta de 31,8 mil comissionados em 2019 para 46,2 mil ao final de 2022.

Almoço institucional prévio

Antes de comparecer à sabatina, o candidato esteve presente em um almoço com a cúpula do Grupo Globo, onde esteve reunido com o presidente da empresa, José Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A confirmação do encontro ocorreu após a repercussão da reunião nos bastidores.

A emissora esclareceu que nenhum profissional da editoria de jornalismo participou do encontro e ressaltou que as conversas institucionais “são parte da rotina de todos os executivos da empresa”, sendo comum que “candidatos façam encontros de cortesia”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário político e sabatinado na véspera, manifestou descontentamento com o episódio por não ter participado de recepção similar.

Com informações de Agência Brasil

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